Raio X do Mundial: 7 dos 25 atletas do Brasil ficaram deficientes no momento do parto

13.07.2017

Problemas na gestação das respectivas mães é a maior causa de deficiência física na seleção brasileira de atletismo paralímpico que compete em Londres na próxima semana

Rodrigo ainda estava na barriga da mãe quando um pequeno acidente mudou o seu destino. Ao cair de uma motocicleta com seis meses de gravidez, a mãe do saltador sofreu um forte impacto no abdomem, o qual deixaria sequelas no seu bebê no momento do parto. Assim como milhares de brasileiros, o atleta goiano nasceu com paralisia cerebral em função de uma intercorrência no parto ou gravidez. A partir de sexta, o atletismo paralímpico brasileiro participa do Mundial de Londres. Dos 25 convocados, sete, incluindo o saltador Rodrigo Parreira, ficaram deficientes por problemas nos respectivos partos, o que representa a maior causa de deficiência na atual seleção.

 

- Meu pai estava com a minha mãe na garupa da moto, e eles caíram quando foram passar num mata-burro. Num primeiro momento, os médicos falaram que não houve nada comigo. Minha mãe estava no sexto mês de gravidez. Nasci com paralisia cerebral e o lado do esquerdo do corpo paralisado. Sinceramente, não acho que tenha sido uma fatalidade. Se eu tivesse nascido sem a minha deficiência, não seria o que sou hoje - disse Rodrigo, prata no salto em distância e bronze nos 100m nos Jogos Paralímpicos do Rio, no ano passado.

 

Representante do Brasil no lançamento de disco e arremesso de peso classe F46 do Mundial de Londres, Emerson dos Santos Lopes também ficou deficiente no momento do parto. Só que, diferentemente de Rodrigo, o catarinense de Lages não teve uma paralisia cerebral. Emerson foi vítima de um erro médico. Retirado de forma incorreta da barriga da mãe no momento do parto, o gigante de 1,87m e 105kg ficou com uma má formação no braço direito.

- Meu braço ficou com uma sequela por causa de um parto mal feito. Nasci em um hospital público de Lages, e a minha família infelizmente nunca mais encontrou o médico. Penso que as coisas acontecem por que têm que acontecer. Hoje estou aqui me preparando para o meu primeiro Mundial e com expectativas boas de trazer uma dealha - disse Emerson, que chegou a praticar hadebol antes de competir no atletismo.

 

As histórias dos brasileiros que disputam o Mundial de Londres são bem variadas. Acreano, Edson Pinheiro nasceu no seringal com ajuda de uma parteira. A falta de oxigênio durante o nascimento causou uma paralisia cerebral que comprometeu o movimento do braço direito do velocista, medalha de bronze na Rio 2016. Para o obstetra Wallace Mendes, diretor-médico da Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Rio, a presença de um médico e de uma estrutura dotada de emergência são imprescindíveis para um parto ser bem feito.